(O Livro dos Espíritos, perguntas 814 a
816)
Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os
detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um
homem.
Manuel de Barros, “O Bicho”.
No
dia 16 de Abril de 1994, o Jornal Folha
de São Paulo, a partir de denúncia feita pela Igreja Episcopal Anglicana do
Brasil, publicou uma reportagem muito triste. Próximo a uma favela de Olinda,
havia um lixão onde eram descartados, dentre outras coisas, lixo hospitalar.
Uma catadora chamada Leonildes, então com 65 anos afirmou que assou no óleo e
comeu com cuscuz um seio humano encontrado pelo seu filho Adilson, então com 39
anos, em meio aos detritos. “Não tinha o
que comer e comi isso mesmo”[1].
Comeram porque passavam fome. “Com fome
entra tudo. Passei um bocado de dia sem saber o que era almoço”[2]. A
pastora Simea Meldrum acreditava, a partir de suas conversas com catadores, que
a prática fosse comum entre eles, ainda que todos se resguardassem em admitir.
Enquanto a reportagem do jornal se encontrava aí, flagraram um caminhão de lixo
despejando sua carga, que era vasculhada por crianças. Uma menina, chamada
Ivanilda, então com 11 anos, encontrou um pedaço de pão e o comeu. A mãe dela,
chamada Solange, achou a atitude normal. “A
gente come o que acha aí. Pega peixe, roupa, galinha, o que tiver (...) A gente
tem que viver, né?”[3]
O educador Paulo Freire, visitando o local e refletindo à respeito da situação
que encontrara, diz que na favela “cedo
se aprende que só a custo de muita teimosia se consegue tecer a vida com sua
quase ausência – ou negação –, com carência, com ameaça, com desespero, com
ofensa e dor”[4].
Os fatos a que me referi ocorreram a mais de vinte anos, mas a fome e a miséria
não deixaram de ser realidades muito presentes no mundo em que vivemos e,
mesmo, no cotidiano de nossa cidade que se pretende maravilhosa.
O
conhecido médico brasileiro Dráuzio Varella publicou, em 18 de Março deste ano,
também na Folha de São Paulo, um
artigo onde afirma que viver na pobreza coloca em risco o desenvolvimento do
cérebro das crianças. De acordo com o grupo de pesquisa da professora Kimberly
Noble, da Universidade de Columbia, trabalhando neste campo há quinze anos, “as crianças das famílias mais pobres
levaram desvantagem nos testes de linguagem e memória e nas capacidades de
autocontrole e concentração”[5].
Ainda segundo ele, o estudo da professora coincide com o de outros grupos que
notaram “alterações anatômicas em áreas
do cérebro envolvidas na cognição, entre as quais uma diminuição de volume do
hipocampo, estrutura essencial para a formação das memórias”[6].
Dráuzio Varella afirma que o cérebro é o órgão que mais consome energia no
corpo físico. A maior parte das calorias ingeridas pelas crianças é gasta por
ele. As diarreias e infecções parasitárias da infância interferem no equilíbrio
energético do seu corpo, “uma vez que
prejudicam a absorção de nutrientes e obrigam o organismo a investir energia na
reparação dos tecidos lesados e na mobilização do sistema imunológico, para
localizar e atacar os germes invasores”[7].
Aos três anos, o cérebro da criança já atingiu 80% do tamanho do de um adulto.
Dos dezoito meses aos quatro anos de vida, as partes do cérebro infantil que
estão amadurecendo em velocidade máxima, podem ressentir-se da falta de
nutrientes para seu pleno desenvolvimento. O desenvolvimento infantil também
sofre abalos por ambientes domésticos conturbados. Ou seja: alimentando-se mal
e vivendo num ambiente de negação da dignidade humana, as crianças pobres terão
seu desenvolvimento cognitivo prejudicado.
Agora
some-se à isso a realidade cotidiana de ter que despertar antes do galo cantar
para trabalhar. A de ter que enfrentar o transporte público de péssima
qualidade lotado, onde o trabalhador perde, pelo menos, a depender de onde
more, algo em torno de uma hora e meia por dia indo e voltando. Somadas às oito
horas de trabalho, são onze horas fora de casa para receber, na maioria das
vezes, um salário mínimo de R$: 937,00 quando o DIEESE calculou o salário
mínimo necessário para o trabalhador em R$: 3.658,72[8].
Quem recebe salário mínimo não pode colocar o filho em escola particular e nem
contratar plano de saúde para a própria família. Depende, assim, da estrutural
e intencional má qualidade dos serviços públicos. E estamos falando daqueles
que tem um emprego. Imagine quem não tem! Não por acaso, quando analisamos o
perfil socioeconômico da população carcerária do país – a quarta do mundo! –
verificamos que 55% têm entre 18 e 29 anos; 61,6% são negros e 75,08 têm até o
ensino fundamental incompleto[9].
Já deu pra ver que não são ricos, né?
No
outro extremo temos aqueles muito ricos. A ONG britânica Oxfam divulgou, em
Janeiro de 2017, que OITO PESSOAS NO PLANETA possuem tanta riqueza quanto a
metade mais pobre da população mundial[10]. Quanto
seria essa metade mundial? 3,6 bilhões de seres humanos[11]. Como
enriquecem desse jeito? Como essa desigualdade social existe? Sonegando
impostos e reduzindo salários de seus funcionários para aumentar os rendimentos
dos acionistas de suas empresas. Encabeçando a lista temos Bill Gates, fundador
da Microsoft, que é detentor de uma fortuna de US$: 75 bilhões ou,
aproximadamente, R$: 233 bilhões[12]. Nos
EUA, a renda dos 50% mais pobres foi congelada nos últimos 30 anos, enquanto
que a do 1% mais rico aumentou 300%![13]
No Vietnã, o homem mais rico do país ganha, em um dia, mais do que a pessoa
mais pobre em 10 anos! Em 2015, as 10 maiores empresas do mundo obtiveram
faturamento superior à receita total dos Governos de 180 países. Essas empresas
usam seu poder financeiro para garantir que a legislação e a política, nacionais
e internacionais, sejam feitas sob medida para proteger seus interesses e
aumentar seus lucros. As isenções fiscais, que quebraram o Governo do Estado do
Rio de Janeiro, são bons exemplos[14].
O
historiador Eric Hobsbawm no seu livro “A Era dos Impérios”, que trata dos
últimos 20 anos do século XIX até a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914,
diz que mansões e casas de campos “eram
destinadas a demonstrar os recursos e o prestígio de um membro da elite
dirigente aos outros membros e às classes inferiores, bem como a organizar o
jogo de influências e domínio”[15].
Ou seja, serviam para demonstrar status e poder para seus pares. Podemos
lembrar, também, de Andrew Carnegie, que nasceu pobre, filho de tecelão, que
ficou milionário e chegou a doar US$: 350 milhões, sem que isso afetasse seu
estilo de vida. Essas doações suavizavam, retrospectivamente, perante o
público, “os contornos desses homens
recordados por seus operários e rivais de negócios como ferozes predadores”[16].
Segundo
um estudo da Organização das Nações Unidas – ONU – de 2015, para erradicarmos a
fome de maneira sustentável do mundo até o ano de 2030 seriam necessários US$:
267 bilhões por ano para investimentos em áreas rurais e urbanas e em proteção
social. Isso representaria US$: 160,00 por ano por pessoa vivendo em extrema
pobreza, por um período de 15 anos[17]. Estamos em Março de 2017 e, neste momento, o
mundo encontra-se em sua pior crise humanitária em 70 anos. Até Julho deste
ano, mais de 20 milhões de pessoas correm sério risco de morrer de fome em
países da África e do Oriente Médio por causa da guerra e da seca[18].
De acordo com o diretor de assuntos humanitários da ONU, seria necessário um
aporte imediato de US$: 4,4 bilhões para enfrentar o problema.
Parece
muito dinheiro, não é? Sem dúvida alguma que sim, não é pouco. No entanto,
comparando-se com as despesas militares dos países que mais gastam com armas no
mundo, percebemos que o compromisso dos governantes mundiais tem sido com a
morte, ao invés da vida. O orçamento de defesa dos EUA em 2016 foi de US$: 581
bilhões; A Rússia gastou US$: 47 bilhões; A China US$: 156 bilhões; A Índia
US$: 40 bilhões; A França US$: 35 bilhões; O Reino Unido US$: 55 bilhões; O
Japão US$: 40 bilhões; A Turquia US$: 18 bilhões e, por fim, a Alemanha gastou
US$: 36 bilhões. Quanto gastou o Brasil? US$: 32 bilhões[19].
Somando-se as despesas militares destes onze países, temos US$: 1.040 trilhão
(um trilhão e quarenta bilhões de dólares). Em 4 anos, dava para acabar com a
fome no mundo.
Allan
Kardec, na questão 814 de “O Livro dos Espíritos” indaga às Entidades
Superiores:
Por
que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?
“Para experimentá-los de modos diferentes.
Além disso, como sabeis, essas provas
foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem
com frequência.” [20]
Somos
Espíritos encarnados vivendo experiências específicas para o nosso crescimento
moral e intelectual. O momento e situação em que nos encontramos no presente
faculta-nos retirar, daí, lições preciosas para nosso desenvolvimento. Através
das experiências nas diferentes classes sociais, encontramos material para
crescermos espiritualmente porque as situações de pobreza e riqueza colocam-nos
situações únicas das quais temos que nos sair bem. A vida dos catadores
Leonildes e Adilson, na favela de Olinda (é possível que já estejam
desencarnados), retirando do lixo o sustento de suas vidas, o alimento para o
corpo, é diferente da de Bill Gates ou da de Andrew Carnegie. A expectativa de
vida dos mais pobres é menor. As oportunidades de acesso à cultura são menores,
mais limitadas. A manteiga que, eventualmente, conseguiam passar num pão, para
eles não era o essencial. O que matava a fome era o pão. Ou os restos humanos
que encontravam. O tratamento dispensado à pessoas com melhor condição
financeira, onde elas se encontrem – nem precisa ser um milionário – é
totalmente diferente daquele dispensado aos mais pobres. O rico, ou de classe
média alta, costuma ser paparicado aonde chega. O pobre é visto como potencial
suspeito de cometer roubo ou visto como um preguiçoso vagabundo.
Os
Espíritos que estão em condições de exercerem seu livre-arbítrio, elegem o
gênero de provas que terão pela frente ao longo de suas vidas. Há Espíritos, no
entanto, que são pouco maduros ou que retornam ao Mundo Espiritual em más
condições de equilíbrio. Nestes casos, Espíritos Superiores organizam, para
eles, suas novas encarnações. O fato de eleger o gênero de provas não quer
dizer que as menores coisas já estão programadas para acontecer-nos. Dizem-nos
os Espíritos que “as particularidades
correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes, consequências
das nossas ações”[21].
O Espírito sabe que “escolhendo tal
caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de
que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se
verificará este ou aquele êxito”[22].
Na segunda parte de “O Livro dos Espíritos”,
em seu sexto capítulo – Da vida espírita – encontramos um subtema chamado
“Escolha das provas”. Allan Kardec assim pergunta aos Espíritos Superiores:
264.
Que é o que dirige o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?
“Ele
escolhe, de acordo com a natureza de suas faltas, as que o levem à expiação
destas e a progredir mais depressa. Uns, portanto, impõem a si mesmos uma vida
de misérias e privações, objetivando suportá-las com coragem; outros preferem
experimentar as tentações da riqueza e do poder, muito mais perigosas, pelos
abusos e má aplicação a que podem dar lugar, pelas paixões inferiores que uma e
outros desenvolvem; muitos, finalmente, se decidem a experimentar suas forças
nas lutas que terão de sustentar em contato com o vício.” [23]
Dessa
forma, o Espírito que tem condições de avaliar sua situação com algum grau de
equilíbrio no Mundo Espiritual leva em consideração, na escolha de suas provas,
os erros cometidos, bem como aquilo que ele considera que pode ajuda-lo a
evoluir mais depressa. Através da pobreza ou da miséria, pela coragem que pode
desenvolver para encarar as situações limitadoras que ela coloca. Em sendo
pobre, não pode dar-se ao luxo de gastar descontroladamente porque, do
contrário, corre o risco de faltar-lhe recursos para a manutenção da própria
vida, bem como a de seus familiares. Tem que desenvolver hábitos mais
controlados, aprender a “enxugar suas necessidades”, avaliando o grau de
importância de cada uma delas. Com isso, educa-se ou reeduca-se – se foi, no
passado de outras encarnações alguém que dissipou seus bens de maneira
irresponsável – para a utilização dos recursos que a Providência Divina
coloca-lhe nas mãos, uma vez que vivemos num mundo que vem sendo dilapidado
pela nossa voracidade em criar necessidades fictícias e facilidades
perturbadoras do futuro humano (vide nossa produção de resíduos). Por outro
lado, aquele que tem a chance de utilizar-se da riqueza material, tem diante de
si uma prova difícil, uma vez que pode comprometer-se a si mesmo, bem como a um
conjunto de pessoas maior, de acordo com o tamanho de suas possibilidades
materiais. Notem que os Espíritos Superiores ligaram a questão da riqueza à do
poder. Não por acaso, como já pudemos notar, o dinheiro é usado pelas grandes
corporações, pelas grandes empresas, para fazer com que políticos criem leis e
governem de acordo com seus interesses de classe. Vide o recente escândalo da
Lava Jato, onde partidos políticos recebem vultosos recursos materiais de
grandes construtoras, quase sempre dinheiro não declarado à Receita Federal,
para as campanhas eleitorais. Tão logo os políticos que patrocinaram fossem
eleitos, esperavam a “contrapartida” em obras públicas bem caras, muitas das
quais se tornaram verdadeiros elefantes brancos como as da Copa do Mundo (2014)
e das Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). Além disso, aquele que dispõe de
riqueza tem mais coisas a desapegar-se quando está para desencarnar. Viveu toda
uma vida de sensações, de luxo material, de diferentes tipos de prazeres
materiais. Gozou do conforto do seu jatinho, do seu iate, dos empregados que
dispunha, de suas mansões e de seus carros. Não pode levar nada disso quando
desencarna. E isso para eles é tão doloroso que, muitos deles, no passado,
enterravam-se cercado de bens materiais e, também, até de seus empregados e
familiares, que eram mortos e postos em suas sepulturas[24].
Na
questão 815, quando Allan Kardec indaga se a desgraça ou a riqueza seriam as
provas mais terríveis, os Espíritos recordam-nos que “a miséria provoca as queixas contra a Providência”.[25]
As experiências dolorosas daqueles que vivem as privações materiais dão-lhe a
sensação falsa de estarem abandonado por Deus, de que ninguém se importa com
eles. No entanto, Deus vela por todos nós, sem exceção. Ao nosso lado,
sustentando-nos o equilíbrio, Espíritos que torcem por nós amparam-nos as
necessidades emocionais e, sim, muitas vezes materiais. Quantos de nós, que em
algum momento de nossas vidas, vivendo dificuldades financeiras, fomos “salvos”
pela ajuda de alguém ou de uma situação que não esperávamos? Allan Kardec, em
seu tempo, foi escritor famoso. Sua gramática foi utilizada na França por
largos anos. Entretanto, não tinha situação material remediada. Trabalhou
bastante para sustentar-se. Num livro que foi publicado após sua desencarnação
chamado “Obras Póstumas”, encontramos um diálogo dele com o Espírito de Verdade,
que orientava sua tarefa de divulgação do Espiritismo.
P.
— Disseste que serás para mim um guia, que me ajudará e protegerá. Compreendo
essa proteção e o seu objetivo, dentro de certa ordem de coisas; mas, poderias dizer-me se essa proteção também alcança
as coisas materiais da vida?
R.
— Nesse mundo, a vida material é muito de
ter-se em conta; não te ajudar a viver seria não te amar.[26]
Assim, os Espíritos Superiores não
descuidam de nós no capítulo da vida material. Certamente, não receberemos o supérfluo,
mas o necessário para vivermos não nos faltará. Velaram por Kardec, velam por
nós. Pessoas há, no entanto, que, neste momento, como vimos, estão passando
fome. Não foram esquecidos por Deus. Com o sofrimento que experimentam,
resgatam suas culpas do passado, uma vez que “o fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à
resignação e à coragem”[27].
Resignação aqui significando a aceitação daquilo que não pode ser modificado
por aquele que sofre. Em “O Evangelho S. Espiritismo” lemos que
Os
sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se
originam de culpas atuais, são muitas vezes a consequência da falta cometida,
isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros. [28]
Ou
seja, recebemos, de volta, para aprendermos, aquilo que fizemos os outros
sofrerem. Não se quer dizer com isso que a exploração do homem pelo homem e a
consequente miséria daí decorrente – lembrem-se que a desigualdade das
condições sociais é obra do homem e não de Deus, conforme a resposta à questão
806 de “O Livro dos Espíritos” – é necessária para que os que sofrem resgatem
suas culpas. Pelo contrário. Aqueles que tem possibilidades materiais poderiam,
se não estivessem, em sua maioria, preocupados em aumentar mais suas riquezas,
trabalhar em benefício das coletividades. Já seria excelente se não explorassem
seus subordinados. Não por acaso, na questão 816 Kardec indaga:
Estando
o rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado, de mais
meios de fazer o bem?
“Mas,
é justamente o que nem sempre faz. Torna-se
egoísta, orgulhoso e insaciável. Com
a riqueza, suas necessidades aumentam
e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.” [29]
Podem fazer o bem, mas “sentam-se” em
cima do talento, preservando-o apenas para si, sem compartirem-no com seus
semelhantes. Onde pretendem chegar com tamanho egoísmo? Nesse galope, só
alcançarão o Mundo Espiritual em condição de muito sofrimento. Tem a ilusão de
deter o próprio destino em suas mãos. Fazem-nos lembrar do rico insensato da
parábola de Jesus. Estando em meio à multidão, um homem pediu a Jesus que
dissesse ao irmão dele que repartisse a herança com ele. Depois de questionar
quem o teria encarregado de julgar ou dividir os bens dos homens, o Nazareno,
voltando-se para o povo disse:
Atenção!
Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha
muitas coisas, a sua vida não depende de
seus bens. E contou-lhes uma parábola: A terra de um homem rico deu uma
grande colheita. E o homem pensou: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar
minha colheita.’ Então resolveu: ‘Já sei o que vou fazer! Vou derrubar meus
celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo,
junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos;
descanse, coma e beba, alegre-se!’ Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Nesta mesma
noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para
quem vão ficar?’ Assim, acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo,
mas não é rico para Deus. [30]
Para encerrar, recordamo-nos de uma
mensagem de “O Evangelho S. Espiritismo” assinada por “Um Espírito protetor”,
que está no capítulo “Não se pode servir a Deus e a Mamon”. O autor espiritual
diz que se impressiona com a preocupação incessante que muita gente coloca no
atendimento do bem estar material, ao passo que pouca importância liga ao
aperfeiçoamento moral. Afirma que muita gente escraviza-se a trabalhos penosos
“pelo amor imoderado da riqueza e dos
gozos que ela proporciona”[31],
gabando-se por viver uma vida de sacrifícios e mérito “como se trabalhassem para os outros e não para si mesmas!”[32]Diz,
ainda, que eles pensaram, apenas, em seus corpos. “Por ele, que morre”, desprezastes o vosso Espírito, que viverá sempre” [33].
Esquecemo-nos que somos Espíritos vivendo experiências materiais num corpo
físico. Confundimo-nos com nossos corpos, que são vestes transitórias. A
certeza da vida futura modifica-nos a maneira de encarar a vida e o “combo” de
situações desafiadoras que ela nos coloca. Que possamos encarar, então, as
provas que elegemos – de riqueza ou de pobreza – como oportunidades para nosso
crescimento espiritual dentro de uma experiência temporária no corpo físico
realizando a maior soma de bem que pudermos e procurando educar-nos, a fim de
deixarmos para trás os velhos hábitos que nos prendem ao círculo de
reencarnações inferiores.
[1] “Indigentes comem carne humana
em Olinda”. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/4/16/brasil/53.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[2] “‘Comi porque tinha fome’”.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/4/16/brasil/54.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[3] “Indigentes comem carne humana
em Olinda”. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/4/16/brasil/53.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e
Terra, 1996, p. 74.
[5] VARELLA, Dráuzio. “A pobreza e
o cérebro das crianças”. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2017/03/1867417-a-pobreza-e-o-cerebro-das-criancas.shtml#_=_ Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[6] Idem.
[7] Idem.
[8] “Pesquisa nacional da cesta
básica de alimentos”. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[9] “População carcerária
brasileira chega a mais de 622 mil detentos”. Disponível em: http://www.justica.gov.br/noticias/populacao-carceraria-brasileira-chega-a-mais-de-622-mil-detentos Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[10] “Oito pessoas concentram mesma
riqueza que a metade mais pobre da população mundial, diz ONG britânica”.
Disponível em: http://g1.globo.com/economia/noticia/oxfam-critica-concentracao-indecente-de-riqueza-no-mundo.ghtml Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[11] “Oito homens possuem a mesma
riqueza que a metade mais pobre da humanidade”. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/13/economia/1484311487_191821.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[12] Dólar custando R$:3,11 em 24
de Março de 2017 as 12h49. “Câmbio”. Disponível em: https://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos/ Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[13] “Oito homens possuem a mesma
riqueza que a metade mais pobre da humanidade”. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/13/economia/1484311487_191821.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[14] “Isenções fiscais do governo
do Rio para empresas somam R$ 138 bi, diz relatório do TCE”. Disponível
em: http://blogs.oglobo.globo.com/na-base-dos-dados/post/isencoes-fiscais-do-governo-do-rio-para-empresas-somam-r-138-bi-diz-relatorio-do-tce.html Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[15] HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios. São Paulo: Paz e
Terra, 2015, p. 260.
[16]Idem, p. 291.
[17] “ONU: US$ 267 bilhões por ano
adicionais para acabar com a fome até 2030”. Disponível em: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/07/onu-us-267-bilhoes-por-ano-adicionais-para-acabar-com-a-fome-ate-2030/#.WNm_7G_yvcc Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[18] Os países são: Iêmem, Sudão do
Sul, Somália e Nigéria. “Por que o mundo vive sua pior crise de fome em 70 anos”.
Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/13/Por-que-o-mundo-vive-sua-pior-crise-de-fome-em-70-anos Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[19] “Estas são as maiores
potências militares do mundo em 2016”. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mundo/estas-sao-as-maiores-potencias-militares-do-mundo-em-2016/ Último acesso em 27 de Março
de 2017.
[20] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro:
FEB, 1995, p. 379. Grifos meus.
[21] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, op. cit., p. 171.
[22] Idem, p. 172.
[23] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, op. cit., p. 174.
[24] O filme “Confúcio, a batalha
pelo império” ilustra bem isso.
[25] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, op. cit., p. 379.
[26] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB,
1995, p. 276.
[27] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio
de Janeiro: FEB, 2004, p. 123.
[28] Idem, p. 115.
[29] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, op. cit., p. 379.
Grifos meus.
[30] BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução de Ivo Storniolo
e Euclides Martins Balancin. São Paulo: Edições Paulinas, 1990, p. 1331. Lucas,
12: 14-21. Bíblia.
[31] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. op.
cit., p. 311.
[32] Idem.
[33] Idem.
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